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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Gastronomia popular à moda brasiliense




A capital de todos os brasileiros também é a capital de todos os sabores 


Qual é a cara da comida de Brasília? Será mesmo que existe um tipo de gastronomia tradicional na cidade? A miscelânea da culinária local encanta os paladares. Do simples ao requintado. Tudo ao gosto do cliente. Nas barraquinhas das feiras espalhadas pela capital do país, as alternativas de comidinhas são muitas. Difícil até de escolher. 
Quando se chega à feira do Núcleo Bandeirante, depara-se com um lugar que mais parece um grande restaurante. São mesas, cadeiras e pequenos quiosques distribuídos em um amplo galpão. Um cheiro do nordeste emana no ar. Além de almoçar, as pessoas também fazem do local um ponto de encontro com os amigos.
O comerciante Ari Rocha é proprietário de um dos restaurantes do lugar. Ele diz que se estabeleceu nessa feira bem no início da criação, há 22 anos. Com dez funcionários e comandando uma cozinha que serve em média 300 refeições por dia, o empresário afirma que o negócio é lucrativo. E justifica: “Aqui vem muita gente. Eles gostam de comer na feira uma comida mais caseira”.
O comerciante José Vieira saiu do Ceará em 1988 e veio “tentar uma vida melhor” em Brasília. Ele diz que para relembrar os pratos da terra natal frequenta a feira do Bandeirante uma vez na semana, onde se pode comer a melhor galinha caipira da cidade, na opinião dele.
Os frequentadores não veem só maravilhas. A cuidadora de idosos Luciene Lira, moradora do Núcleo Bandeirante, vai com o marido à feira há, aproximadamente, 10 anos. De acordo com ela, a comida não é caprichada e não traz o tempero acentuado e diferenciado da comida do Nordeste.


Torre de TV
Na Torre de TV, ponto turístico de Brasília, os quiosques de comidinhas são bastante variados. São 15 de um lado e 15 do outro. Pode-se encontrar desde pratos chineses até churrasco. O rolinho primavera (frito na hora) sai a R$ 2,00.
Pastel e caldo de cana são os mais populares, oferecidos aos montes, em seis quiosques diferentes. Mas as opções da feira não ficam só no trivial de feira. A gastronomia paraense, por exemplo, enche os olhos dos visitantes. Diversas as barracas servem tacacá, pato no tucupi e maniçoba. Pode-se degustar a tapioca com coco acompanhada de uma xícara de café por R$ 4,50.
Tem até barraquinha de comida self service para quem quiser. O atendente Sidney da Silva é um verdadeiro “cardápio ambulante”, pois os tipos de alimentos estão descritos no avental que usa. Silva calcula a venda de aproximadamente 250 quentinhas por final de semana, ao custo de R$ 10,00 cada.
Baianas vestidas com trajes típicos enfeitam as barraquinhas de iguarias da Bahia. Abará, cocadas, beiju e cuscuz de tapioca são alguns exemplos da variedade do cardápio da região. A baiana Evilásia Reis do Nascimento vende acarajé há 48 anos na feira da Torre. “Ela é a soteropolitana mais velha de idade e de trabalho daqui”, afirma a filha da comerciante, Esmeralda Marinho. “Aqui é tudo fresquinho, feito na hora. Processamos a massa do acarajé quando a gente chega e fritamos na vista do cliente. Os ingredientes guardados por muito tempo podem até causar uma infecção intestinal”, explica.


Feira do Guará
A área de alimentação da Feira do Guará é muito limitada, segundo a artesã Wanda Lúcia Mendonça. Ela expõe no lugar há 10 anos e come nos quiosques de quinta a domingo, dias de duração da feira. Wanda, que prefere comida caseira às regionais, almoça em um self service perto da pista principal do Guará, na lateral da feira.
Mesinhas cobrem as calçadas e placas grandes e coloridas anunciam os restaurantes. Mas, no interior da feira, uma pastelaria e uma enorme lanchonete fazem sucesso entre os visitantes. Na hora do almoço, o quilo da comida no Café Dona Neide custa R$ 23,90 durante a semana e R$ 25,90 nos finais de semana e feriados.


Feira da Ceilândia
Na Feira da Ceilândia barracas de frutas e verduras frescas estão distribuídas entre as de comidinhas. Cabrito, buchada de bode, pastéis, churrasco, peixe frito e dobradinha são alguns dos pratos que se pode degustar nesse lugar. Debaixo das árvores no final da feira, crianças se divertem em um parquinho de brinquedos de metal e madeira coloridos durante as manhãs e tardes dos finais de semana. Frequentar essa feira tornou-se um passeio familiar para a artista plástica Nanrery Sérgio. “Venho sempre com meus pais comer aqui”, fala. Um PF com arroz branco, peixe cozido, farofa e batatas fritas sai a R$ 8,00.






Mercado Municipal
Há cinco anos o Mercado Municipal se faz presente na cidade. Segundo o proprietário do lugar, Jorge Ferreira, "é  uma cozinha de mercado honesta, como as de antigamente, onde se pode tomar apenas um cafezinho, experimentar um pastel de bacalhau ou um sanduíche de mortadela". Chopp gelado, carta de vinhos e diversidade de cachaças compõe o cardápio das bebidas.
Painel do artista Paulo Andrade, ao estilo Nilton Bravo, que retrata personagens da boemia candanga ilustra a parede de entrada. Padaria, cafeteria, bar e restaurante. Quitanda com produtos orgânicos, carnes e peixes nobres, queijos nacionais e importados, temperos a granel, castanhas, frutas desidratadas e pastas árabes fazem parte do rol oferecido pelo Mercado.
Com mesinhas montadas também na calçada da W3 Sul além do salão principal, o bar e restaurante funciona todos os dias. A feijoada nas sextas e sábados, segundo o gerente Max Demian, é bastante procurada pelos clientes. “Fica lotado. E olha que aqui comportam 230 pessoas”, fala. O preço é de R$ 36,20 e a caipirinha, por conta da casa. Samba e chorinho aquecem o ambiente, com grupos ao vivo. É cobrado o couvert artístico: R$ 5,00 por pessoa.
O garçom Vilmário Oliveira conta que a rabada, servida as quartas-feiras, é a preferida de muitos políticos frequentadores do lugar. O prato serve duas pessoas e sai a R$ 37,00. Acompanha arroz branco. Nas quintas, a pedida é a moqueca de peixe, com arroz e pirão. Também para dois, esse prato custa R$ 51,20. E, sobremesas à parte. Por R$ 6,90, pudim de leite, goiabada cascão com queijo minas e doce de leite cremoso adoçam os paladares dos clientes.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cachaça: a bebida do Brasil



            Tradicionalmente feita da cana-de-açúcar, a cachaça faz parte do cotidiano do brasileiro desde a primeira metade do século XVI. Na visita da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos da América, no início de abril, em encontro com o Chefe de Estado Barack Obama, houve o reconhecimento da cachaça como um produto genuinamente nacional.
            A bebida é comercializada em bares e restaurantes de todo o país. Em Brasília, encontramos a cachaça em botecos e até mesmo em locais mais requintados. A branquinha, como é conhecida por muitos, pode ser considerada a bebida mais democrática do Brasil.
            No Bar Piauí, inaugurado na capital há aproximadamente 27 anos, a carta de cachaças é grande. Conta com 66 tipos de rótulos. A mais cara, Anisio Santiago, custa R$ 20,00 a dose. A mais barata, 51, sai a R$ 1,50 o copinho. O garçom José Sousa Brito trabalha no estabelecimento há 10 anos e fala que a bebida é muito pedida pelos clientes. “Quase todo dia vendo cachaça. Tem aquele que senta à mesa e pede uma ou duas doses e vai para a cerveja. E tem outros que ficam no balcão mesmo. Esses bebem só cachaça”, diz.


            Porém a branquinha não é servida apenas pura. Diversos drinks podem ser preparados com cachaça. Como exemplo, a caipirinha, bebida feita com limão, açúcar e gelo, e, é claro, cachaça. Em média, um copo custa R$ 8,00 em bares da cidade. No Azeite de Oliva, o cliente pode pedir caipirinha de morango. É a preferida das mulheres, segundo o gerente da casa. Outra bebida montada com cachaça é o quentão, típico das festas juninas. Misturada com gengibre e açúcar, a cachaça faz sucesso também quente.
            Na comercial da 307 Sul, o Nations Bar é especializado em coquetéis. Mesmo assim, vende cachaças puras. Como a Sagatiba, cuja dose sai a R$ 5,00, a Santo Grau, que custa R$ 7,00 e a Nega Fulô, a R$ 9,00. Mas o diferencial do lugar são mesmo os drinks. O barman Clau Nascimento gosta de inovar e criar bebidas com sabores e cores variados. Sua criação mais recente é a de nome Abaporu. Ele usa cachaça brasileira e frutas tropicais. “Pensei em fazer uma coisa diferente. Então juntei maracujá, banana, laranja, xarope de romã e cachaça. Ficou bem verão, bem praia. Refrescante”, afirma. Servida em copo longo com pedras de gelo, a bebida custa R$ 14,00.  

           
Bebida socializante
            Apreciadores da cachaça se uniram há 11 anos e estabeleceram a Confraria da Cachaça do Brasil. Mensalmente o grupo se reúne para almoço, onde é divulgado rótulos de produtores nacionais. A cachaça então é degustada e avaliada pelos membros da diretoria da confraria. Se aprovada, recebe um certificado de qualidade. Os confrades e confreiras somam aproximadamente 80 pessoas, em Brasília. A confraria está presente também no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. O fundador, José Bonifácio dos Santos, o Boni, orgulha-se do feito: “Como presidente da confraria posso dizer que fizemos muitas ações junto ao governo para o reconhecimento da cachaça do Brasil. Hoje é um produto de prestígio internacional”. O lema da confraria é: cachaça de qualidade, orgulho do Brasil.


           
Curiosidades
            . A cachaça é obtida por meio da destilação do melaço fermentado da cana-de-açúcar.  A graduação alcoólica da cachaça varia entre 38% e 48% em volume.
            . Por vezes, confundida com cachaça, a aguardente de cana é um destilado alcoólico simples de fermentado do caldo da cana-de-açúcar. A graduação alcoólica da aguardente de cana está entre 38% e 54% em volume.
            . Em 1756, a cachaça passou a ser industrializada. Em garrafa de louça, a Monjopina, produzida no Engenho Monjope, em Igarassu (PR), começou a ser vendida em armazéns de secos e molhados.
            . A bebida nacional ganhou seu maior reconhecimento no mundo quando a Cachaça Pendão foi premiada no San Francisco Word Spirits Competition, uma das mais importantes competições do segmento. Entre 1.215 tipos de destilados de 61 países, ficou com a medalha de prata em 2012.
            . A Cachaça Anisio Santiago (antiga Havana – teve o nome trocado por problemas de patente) é uma das cachaças nobres, facilmente identificada nas degustações às cegas por aroma e sabor marcantes. Premiadíssima, é considerada como a melhor cachaça do mundo. Produzida na Fazenda Havana, cidade de Salinas (Minas Gerais), tem graduação alcoólica de 44,8% em volume.
            . O Museu da Cachaça foi inaugurado no dia 10 de dezembro de 1998. Situado no município de Lagoa do Carro, a 60 quilômetros de Recife, possui uma coleção que faz parte do Guiness Book, o livro dos recordes. São 7.124 garrafas, produzidas no Brasil e em outros 24 países, reunidas ao longo de duas décadas pelo empresário José Moisés de Moura. O museu recebe cerca de 50 visitantes semanais e o bilhete de entrada custa R$ 1,00. Ao final da visitação, o público pode degustar diferentes marcas de cachaça no bar do espaço.




















sexta-feira, 20 de abril de 2012

Comidinhas na rua




  Se você pensa que as opções para comer fora de casa se restringem aos restaurantes, está enganado. Nas entrequadras de Brasília são diversas as alternativas nas carrocinhas de rua para se fazer um bom lanche e até mesmo uma refeição, além do tradicional cachorro-quente. Macarrão, kebab, nhoque, pizza, churrasquinho e hambúrguer fazem parte do rol. E acredite: os sanduíches vegetarianos também conquistaram espaço. Com preços mais acessíveis que os encontrados em estabelecimentos formais, o cardápio de comidas oferecidas em quiosques e barraquinhas atrai a clientela.
            
  A montagem é simples. Quem passa pelo comércio local da 206 norte durante o dia não imagina que, a partir das 19 horas, de segunda a sábado, uma tenda rodeada por cadeiras e mesas passa a ocupar parte do estacionamento. É o Macarrão na Rua. À frente do fogão, o proprietário Estevão Saraiva serve os clientes desde 2002, fiéis até nos dias de chuva. “Adoro esse lugar. Sempre venho comer macarrão. Não importa se está chovendo, a comida é quentinha”, conta a artesã Nanrery Mendonça, que frequenta o local pelo menos uma vez na semana. As massas são artesanais e a sugestão de molhos agrada aos mais diversos paladares: al sugo, bolonhesa, quatro queijos, calabresa, carbonara e estrogonofe de frango. Por R$ 9,00 pode-se comer um talharim, espaguete ou nhoque com um desses molhos. Queijo parmesão ralado e folhas de manjericão fresco compõem o prato.


  Saraiva diz que o ambiente de rua e as velinhas coloridas acessas em cima das mesas chamam a atenção do público. O capricho com que as comidas são preparadas (com luvas, máscara, toalhas de papel e álcool em gel) e a limpeza do banheiro, que fica dentro de umas das lojas comerciais próximas ao local, podem ser observados pelos fregueses. A cultura se faz presente na tenda do Macarrão na Rua. Às sextas-feiras, grupos musicais tocam bossa nova e MPB. No dia mundial do nhoque, 29 de cada mês, é realizado um encontro musical no lugar. E como opção durante as apresentações, o cliente pode degustar uma taça de vinho a R$ 6,00 ou comprar a garrafa por R$ 24,00.
            
  Perto dali, também no estacionamento do comércio local, na 208 norte, o fotógrafo, filho de uma chef de cozinha, Flávio Rodrigues, há um ano investe nos adeptos da culinária vegetariana. Mesinhas móveis recicladas feitas com restos de madeira, banquinhos de plástico e toalhas de chita floridas enfeitam o ambiente. Uma lona branca cobre a parte onde ficam as panelas. O proprietário do Natura Dog fala que teve a ideia de montar o negócio por causa dos amigos. “Quase todos são vegetarianos”, afirma. E completa: “Vou mudar em breve o nome para Natura Veg”. O lugar é montado de quinta a domingo e funciona das 18h30 às 23h30. O diferencial da barraquinha é o sanduíche tipo cachorro-quente, porém natural. São duas as opções de pão: tradicional ou integral. As receitas foram elaboradas pela mãe de Flávio e a preparação é artesanal. Para rechear, almôndegas ou salsicha de soja, batata palha, milho, legumes, purê de batata, maionese de cenoura, pastas de alho ou azeitona, vinagrete e queijo. Pedir é fácil: basta marcar em um papel que fica em cima das mesas os ingredientes que deseja incluir no sanduíche. O preço varia de acordo com o pedido. Vai de R$ 5,00 a R$ 7,00. Sucos naturais, refrigerantes e cerveja fazem parte do cardápio e o reggae é a música que impera no ambiente.
           
  Pedaços de carne bovina ou de frango enfiados em um espeto de metal giratório assados na churrasqueira elétrica. Pequenas fatias são sobrepostas no fino pão sírio, chamado de pão folha, com molho de alho, alface, tomate picado e pasta terrine. O sanduíche é montado aos olhos do cliente. É o kebab.  A unidade sai a R$ 9,90. O quiosque, instalado na calçada próximo ao Posto da Torre no Setor Hoteleiro Sul, há três anos serve a clientela que aprecia iguarias árabes. Shawarma é o nome do espaço. Com a infraestrutura diferenciada, tem mesas fixas na rua, garçom, pessoal uniformizado e caixa. Caso queira usar o banheiro, o do posto está à disposição. Além do kebab, considerado carro chefe do local segundo os empregados do recinto, quibes e esfirras são servidos todos os dias, das 12 horas à meia noite. Várias marcas de cerveja podem ser consumidas no local, além de refrigerantes e sucos em lata. O jornalista Michel Aleixo faz do kebab o almoço dos domingos: “É sagrado. Adoro. É leve, bem servido, rápido e gostoso”.
           
  Mesmo ao lado de uma franquia de hambúrgueres famosa, o Espeto Lanches está sempre cheio. A estudante Mayara Souza é frequentadora assídua do trailer desde 2008. “Venho sempre aqui. O sanduíche é grande e o preço e vale a pena. Acho bem barato”, afirma. Com mesas e cadeiras fixadas no chão de cimento sob um toldo verde na entrada da quadra 409 sul, essa lanchonete de rua faz sucesso entre os fregueses. É o que conta o chapeiro e dono do lugar, Paulo Roberto Morais. “Estou aqui há 26 anos. Além dos esporádicos, tenho clientes fixos”, completa.  Os hambúrgueres de carne ou frango são de fabricação caseira. O sanduíche mais pedido na casa é o Cheese Burgão Salada, que custa R$ 5,00.  É preparado no pão com maionese temperada ao alho, alface, rodelas de tomate, queijo, hambúrguer de carne ou frango e fatias de calabresa tostadas na chapa. O apelido do proprietário deu nome ao ponto. Espeto, como é chamado pelos amigos, abre o trailer de segunda a sábado, das 18 horas à meia noite.


Bebidas alcoólicas
   A venda de bebidas alcoólicas nos quiosques e barraquinhas de rua é proibida pelos órgãos competentes de fiscalização do Governo do Distrito Federal. Mesmo assim, como constatado nessa reportagem, em alguns lugares, a comercialização se faz presente. Em alguns deles, as bebidas estão relacionadas nos cardápios. Em outros, expostas ao lado das comidas. Já no trailer Espeto Lanches, a cerveja não pode ser consumida no estabelecimento. “Tenho latinhas para vender, mas só para levar”, diz o proprietário.


Curiosidade
   Você sabia que três dos quatro lugares visitados nessa reportagem (Macarrão na Rua,  Shawarma e Espeto Lanches) aceitam cartões de crédito e débito? Normalmente se pensa que, por serem barraquinhas de rua, o pagamento só pode ser feito em dinheiro. Modernidade.