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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Gastronomia popular à moda brasiliense




A capital de todos os brasileiros também é a capital de todos os sabores 


Qual é a cara da comida de Brasília? Será mesmo que existe um tipo de gastronomia tradicional na cidade? A miscelânea da culinária local encanta os paladares. Do simples ao requintado. Tudo ao gosto do cliente. Nas barraquinhas das feiras espalhadas pela capital do país, as alternativas de comidinhas são muitas. Difícil até de escolher. 
Quando se chega à feira do Núcleo Bandeirante, depara-se com um lugar que mais parece um grande restaurante. São mesas, cadeiras e pequenos quiosques distribuídos em um amplo galpão. Um cheiro do nordeste emana no ar. Além de almoçar, as pessoas também fazem do local um ponto de encontro com os amigos.
O comerciante Ari Rocha é proprietário de um dos restaurantes do lugar. Ele diz que se estabeleceu nessa feira bem no início da criação, há 22 anos. Com dez funcionários e comandando uma cozinha que serve em média 300 refeições por dia, o empresário afirma que o negócio é lucrativo. E justifica: “Aqui vem muita gente. Eles gostam de comer na feira uma comida mais caseira”.
O comerciante José Vieira saiu do Ceará em 1988 e veio “tentar uma vida melhor” em Brasília. Ele diz que para relembrar os pratos da terra natal frequenta a feira do Bandeirante uma vez na semana, onde se pode comer a melhor galinha caipira da cidade, na opinião dele.
Os frequentadores não veem só maravilhas. A cuidadora de idosos Luciene Lira, moradora do Núcleo Bandeirante, vai com o marido à feira há, aproximadamente, 10 anos. De acordo com ela, a comida não é caprichada e não traz o tempero acentuado e diferenciado da comida do Nordeste.


Torre de TV
Na Torre de TV, ponto turístico de Brasília, os quiosques de comidinhas são bastante variados. São 15 de um lado e 15 do outro. Pode-se encontrar desde pratos chineses até churrasco. O rolinho primavera (frito na hora) sai a R$ 2,00.
Pastel e caldo de cana são os mais populares, oferecidos aos montes, em seis quiosques diferentes. Mas as opções da feira não ficam só no trivial de feira. A gastronomia paraense, por exemplo, enche os olhos dos visitantes. Diversas as barracas servem tacacá, pato no tucupi e maniçoba. Pode-se degustar a tapioca com coco acompanhada de uma xícara de café por R$ 4,50.
Tem até barraquinha de comida self service para quem quiser. O atendente Sidney da Silva é um verdadeiro “cardápio ambulante”, pois os tipos de alimentos estão descritos no avental que usa. Silva calcula a venda de aproximadamente 250 quentinhas por final de semana, ao custo de R$ 10,00 cada.
Baianas vestidas com trajes típicos enfeitam as barraquinhas de iguarias da Bahia. Abará, cocadas, beiju e cuscuz de tapioca são alguns exemplos da variedade do cardápio da região. A baiana Evilásia Reis do Nascimento vende acarajé há 48 anos na feira da Torre. “Ela é a soteropolitana mais velha de idade e de trabalho daqui”, afirma a filha da comerciante, Esmeralda Marinho. “Aqui é tudo fresquinho, feito na hora. Processamos a massa do acarajé quando a gente chega e fritamos na vista do cliente. Os ingredientes guardados por muito tempo podem até causar uma infecção intestinal”, explica.


Feira do Guará
A área de alimentação da Feira do Guará é muito limitada, segundo a artesã Wanda Lúcia Mendonça. Ela expõe no lugar há 10 anos e come nos quiosques de quinta a domingo, dias de duração da feira. Wanda, que prefere comida caseira às regionais, almoça em um self service perto da pista principal do Guará, na lateral da feira.
Mesinhas cobrem as calçadas e placas grandes e coloridas anunciam os restaurantes. Mas, no interior da feira, uma pastelaria e uma enorme lanchonete fazem sucesso entre os visitantes. Na hora do almoço, o quilo da comida no Café Dona Neide custa R$ 23,90 durante a semana e R$ 25,90 nos finais de semana e feriados.


Feira da Ceilândia
Na Feira da Ceilândia barracas de frutas e verduras frescas estão distribuídas entre as de comidinhas. Cabrito, buchada de bode, pastéis, churrasco, peixe frito e dobradinha são alguns dos pratos que se pode degustar nesse lugar. Debaixo das árvores no final da feira, crianças se divertem em um parquinho de brinquedos de metal e madeira coloridos durante as manhãs e tardes dos finais de semana. Frequentar essa feira tornou-se um passeio familiar para a artista plástica Nanrery Sérgio. “Venho sempre com meus pais comer aqui”, fala. Um PF com arroz branco, peixe cozido, farofa e batatas fritas sai a R$ 8,00.






Mercado Municipal
Há cinco anos o Mercado Municipal se faz presente na cidade. Segundo o proprietário do lugar, Jorge Ferreira, "é  uma cozinha de mercado honesta, como as de antigamente, onde se pode tomar apenas um cafezinho, experimentar um pastel de bacalhau ou um sanduíche de mortadela". Chopp gelado, carta de vinhos e diversidade de cachaças compõe o cardápio das bebidas.
Painel do artista Paulo Andrade, ao estilo Nilton Bravo, que retrata personagens da boemia candanga ilustra a parede de entrada. Padaria, cafeteria, bar e restaurante. Quitanda com produtos orgânicos, carnes e peixes nobres, queijos nacionais e importados, temperos a granel, castanhas, frutas desidratadas e pastas árabes fazem parte do rol oferecido pelo Mercado.
Com mesinhas montadas também na calçada da W3 Sul além do salão principal, o bar e restaurante funciona todos os dias. A feijoada nas sextas e sábados, segundo o gerente Max Demian, é bastante procurada pelos clientes. “Fica lotado. E olha que aqui comportam 230 pessoas”, fala. O preço é de R$ 36,20 e a caipirinha, por conta da casa. Samba e chorinho aquecem o ambiente, com grupos ao vivo. É cobrado o couvert artístico: R$ 5,00 por pessoa.
O garçom Vilmário Oliveira conta que a rabada, servida as quartas-feiras, é a preferida de muitos políticos frequentadores do lugar. O prato serve duas pessoas e sai a R$ 37,00. Acompanha arroz branco. Nas quintas, a pedida é a moqueca de peixe, com arroz e pirão. Também para dois, esse prato custa R$ 51,20. E, sobremesas à parte. Por R$ 6,90, pudim de leite, goiabada cascão com queijo minas e doce de leite cremoso adoçam os paladares dos clientes.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Em torno da taça



Apreciadores de vinhos destacam a característica agregadora da bebida

  O vinho é conhecido por seu papel socializante.Não se bebe um vinho sozinho. Tem que compartilhar o momento”, afirma Josebel Costa, membro Associação Brasileira de Sommeliers (ABS). Em Brasília existem diversos grupos que se reúnem para associar o prazer do consumo da bebida à boa companhia. A ABS, por exemplo, conta com aproximadamente 120 sócios e a gama de interessados em se associar cresce a cada ano, apesar da Lei Seca.
  Josebel sempre participa tanto de degustações como de viagens para tomar vinhos.  Ele conta que voltou há pouco de Montevidéu, no Uruguai, e adorou as vinícolas que conheceu. “O passeio é muito divertido. Você conhece novos tipos de vinhos, desde a produção. E faz amizades em volta de uma garrafa”, completa.
  O presidente da ABS Brasília, Antônio Duarte, defende a educação do consumidor e a capacitação do fornecedor de vinhos. Desde agosto de 2001 está à frente da associação, onde são realizados cursos profissionalizantes, palestras e degustações de vários rótulos da bebida. O professor acredita que o país se desenvolve com relação à produção de vinhos e espumantes. “Fabrica-se hoje, na Serra Gaúcha, um dos melhores espumantes do Brasil, o Geisse”, afirma. A ABS também promove viagens enogastronômicas, no Brasil e no exterior, onde o associado faz visitas a vinícolas e participa das harmonizações de vinhos. Segundo Duarte, essa é uma forma de união e troca de ideias entre conhecedores e apreciadores de bons vinhos.
            
  Outra confraria, dedicada à prova de diferentes rótulos, é as Amigas do Vinho − composta exclusivamente por mulheres, como o próprio nome diz. Elas se reúnem periodicamente em restaurantes de Brasília com o objetivo de conhecer e experimentar vinhos e espumantes. Casado com uma confreira das Amigas do Vinho, o servidor público Francisco Vasconcelos diz participar de degustações para fazer amizades e afirma ter descoberto o mundo dos vinhos por intermédio da esposa. “O vinho deixa as pessoas felizes. Nunca vi ninguém bebendo vinho e brigando. O vinho te leva mais pelo prazer do que pela quantidade”, fala.
             


Curiosidades

O que é a viticultura? É a ciência que estuda a produção da uva.

E que são enófilos e enólogos? Os enófilos são os apreciadores de vinhos, enquanto os enólogos são aqueles que fabricam o vinho.

Quais os países produtores dos classificados como melhores vinhos do mundo? Os ícones mundiais são os franceses, Borgonha e Bordeau. Na Itália, o Barolo, na Espanha, o Vega Sicilia. Em Portugal, o Pera Manca e o Barca Velha. Mas a maior referência de vinho do mundo é a champanhe, da região Champagne, na França.

O que é um terroir e como ele influencia na qualidade do produto? O terroir é o conjunto do solo e do clima, a coisa mais importante na produção do vinho. Às vezes você está num certo local e dali a 100 metros você tem outro terroir. Os vinhos ficam completamente diferentes. Se a incidência do sol no vinhedo de seu vizinho é uma e do seu outra, muda a qualidade do vinho.

Qual a diferença entre o método champenoise e o charmat? Espumante é um vinho que tem uma segunda fermentação. O champenoise ou tradicional, originário da região de Champagne, é o método usado para fazer a segunda fermentação na garrafa. No charmat é processada essa mesma fermentação, porém em um grande tanque de aço inoxidável, com capacidade para 50, 100 mil litros da bebida.

Conheça o site e fique por dentro dos eventos da associação dos amantes do vinho: 












sexta-feira, 18 de maio de 2012

Descoberta gastronômica: do básico ao requintado


  
           São muitas as opções de cursos de culinária em Brasília. A variedade vai desde simples ensinamentos na cozinha até profissionalizantes com diploma de faculdade. E o público: homens, mulheres e crianças.
Foto da cozinha do Kaza Chique


             No Curso de Culinária As Maria, o interessado vai aprender o abc do lar em cinco aulas: temperos, processos culinários, aperitivos, docinhos, sanduiches  e canapés. Engloba ainda o arroz, feijão, massa, sopas e preparo de carnes e peixes. O preço de cada encontro é R$ 50,00.
            O professor Cláudio Flaisec trabalha com aulas de gastronomia no apartamento da 306 Sul e elabora pratos mais requintados. Pode-se escolher os dias e os horários: segunda e quarta-feira ou terça e quinta-feira, das 16 às 18 horas ou das 19 às 21 horas. O investimento é de R$ 500,00, pagos em até duas vezes. Se a vista, R$ 450,00. Seis é o número máximo de alunos por turma e a duração, oito aulas. “O curso não ensina só o trivial, quem participa das aulas aprende maneiras de variar, sair dos pratos do dia a dia”, explica o instrutor.
            Outro lugar para se aprender a fazer um jantar especial ou até mesmo o básico é no Kaza Chique, na comercial da 102 Norte. Lá, os alunos encontram diversas opções de cursos e colocam a mão na massa. Ou então, assistir a uma aula show, na qual o professor prepara os pratos. Todos acompanham com a apostila de receitas e, logo após, degustam.
             
              Para os pequenos   
            Crianças também podem cozinhar. Oficinas educativas ensinam receitas divertidas e saudáveis e despertam a curiosidade dos baixinhos para o universo da gastronomia. O objetivo é fazer com que experimentem diversos tipos de alimentos e, assim, aprimorarem o paladar.
 A administradora da Kaza Chique, Mariana Rollemberg, promove, além dos cursos regulares oferecidos pela casa, aulas especiais de culinária para crianças. “É importante degustar coisas diferentes, gostosas e coloridas”, explica. O preço gira em torno de R$ 290,00, dependendo das aulas. A equipe é composta pelas chefs Juliana de Andrade, também psicóloga, e Joana Pereira, formada em nutrição. Frutas, legumes e verduras fazem parte do cardápio. Sem usar o fogão, as crianças fazem pratos variados na cozinha, transformando a arte da culinária em uma atividade lúdica. “Eles não gostam de fazer coisas fáceis, não. Querem as difíceis”, diz Joana.


Seguindo essa tendência, o Park Shopping de Brasília realizou, nas férias de julho, um evento gratuito e aberto ao público, o Petits Chefs, para crianças de 4 a 12 anos. O projeto contou com a participação de chefs renomados da cidade. Com o auxílio de monitores treinados, montaram sanduíches em forma de bichinhos, ensinaram a fazer biscoitos decorados e pratos diferentes.
Igor Monteiro, 7 anos, participou com o irmão, Felipe, 4 anos, de uma das oficinas, a de biscoitos. “Eu gostei. Ganhei até diploma”, completa. A psicóloga Núbia de Melo Monteiro, mãe de Igor e Felipe, acha válido que as crianças aprendam a cozinhar. Esse tipo de atividade para meninos, segundo Núbia, cria uma nova visão sobre os papéis de gênero, ajudando a quebrar tabus.

Igor e Felipe Monteiro na oficina Petits Chefs

Crianças colocando a mão na massa


Para quem quer mais
        Os cursos tecnológicos de graduação apresentam um conteúdo direcionado para a profissão. Na capital federal, pelo menos quatro instituições de ensino superior como o Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), o Centro Universitário Unieuro, a Universidade Católica e o Centro Universitário de Brasília (Uniceub) oferecem curso para tecnólogo no ramo. A duração é de dois anos.
           A recém-formada tecnóloga em Gastronomia Ana Carolina Alves, 21 anos, afirma que fez o curso pela rapidez com que ele é ministrado. "Em apenas dois anos tenho um diploma. A proposta é interessante", completa. O coordenador de gastronomia do Iesb, Sebastian Parasole, diz que o curso existe na faculdade há seis anos e que a procura é grande. "Todos, de qualquer faixa etária, se matriculam. Tem gente de 19 anos e até de mais de 60", lembra.

Alunos do curso de gastronomia do Iesb

          Apesar de já possuir uma graduação, a nutricionista Caroline França decidiu fazer o curso de gastronomia para realizar um sonho. “Eu sempre quis trabalhar na área gastronômica, trabalhar em cozinha”, fala. Ela acredita que todas as profissões passem por uma evolução e é normal que isso aconteça. “Acho superimportante buscar uma profissionalização nas faculdades”, completa.
Outro local bastante procurado para esse tipo de formação é o Serviço Nacional de Apoio ao Comércio do Distrito Federal (Senac). O aluno escolhe entre comida de boteco, culinária básica ou italiana, saladas especiais e confeitaria. As inscrições são gratuitas e o número de vagas, limitado.

Mais opções
     Os interessados em aprender a cozinhar podem procurar também a Escola de Gastronomia de Brasília (no Comércio Local da 201 Sul), a Nutri Chef (no Shopping Deck Norte) ou ainda o curso da Chef Catarina Melo (na 206 Sul).


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cachaça: a bebida do Brasil



            Tradicionalmente feita da cana-de-açúcar, a cachaça faz parte do cotidiano do brasileiro desde a primeira metade do século XVI. Na visita da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos da América, no início de abril, em encontro com o Chefe de Estado Barack Obama, houve o reconhecimento da cachaça como um produto genuinamente nacional.
            A bebida é comercializada em bares e restaurantes de todo o país. Em Brasília, encontramos a cachaça em botecos e até mesmo em locais mais requintados. A branquinha, como é conhecida por muitos, pode ser considerada a bebida mais democrática do Brasil.
            No Bar Piauí, inaugurado na capital há aproximadamente 27 anos, a carta de cachaças é grande. Conta com 66 tipos de rótulos. A mais cara, Anisio Santiago, custa R$ 20,00 a dose. A mais barata, 51, sai a R$ 1,50 o copinho. O garçom José Sousa Brito trabalha no estabelecimento há 10 anos e fala que a bebida é muito pedida pelos clientes. “Quase todo dia vendo cachaça. Tem aquele que senta à mesa e pede uma ou duas doses e vai para a cerveja. E tem outros que ficam no balcão mesmo. Esses bebem só cachaça”, diz.


            Porém a branquinha não é servida apenas pura. Diversos drinks podem ser preparados com cachaça. Como exemplo, a caipirinha, bebida feita com limão, açúcar e gelo, e, é claro, cachaça. Em média, um copo custa R$ 8,00 em bares da cidade. No Azeite de Oliva, o cliente pode pedir caipirinha de morango. É a preferida das mulheres, segundo o gerente da casa. Outra bebida montada com cachaça é o quentão, típico das festas juninas. Misturada com gengibre e açúcar, a cachaça faz sucesso também quente.
            Na comercial da 307 Sul, o Nations Bar é especializado em coquetéis. Mesmo assim, vende cachaças puras. Como a Sagatiba, cuja dose sai a R$ 5,00, a Santo Grau, que custa R$ 7,00 e a Nega Fulô, a R$ 9,00. Mas o diferencial do lugar são mesmo os drinks. O barman Clau Nascimento gosta de inovar e criar bebidas com sabores e cores variados. Sua criação mais recente é a de nome Abaporu. Ele usa cachaça brasileira e frutas tropicais. “Pensei em fazer uma coisa diferente. Então juntei maracujá, banana, laranja, xarope de romã e cachaça. Ficou bem verão, bem praia. Refrescante”, afirma. Servida em copo longo com pedras de gelo, a bebida custa R$ 14,00.  

           
Bebida socializante
            Apreciadores da cachaça se uniram há 11 anos e estabeleceram a Confraria da Cachaça do Brasil. Mensalmente o grupo se reúne para almoço, onde é divulgado rótulos de produtores nacionais. A cachaça então é degustada e avaliada pelos membros da diretoria da confraria. Se aprovada, recebe um certificado de qualidade. Os confrades e confreiras somam aproximadamente 80 pessoas, em Brasília. A confraria está presente também no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. O fundador, José Bonifácio dos Santos, o Boni, orgulha-se do feito: “Como presidente da confraria posso dizer que fizemos muitas ações junto ao governo para o reconhecimento da cachaça do Brasil. Hoje é um produto de prestígio internacional”. O lema da confraria é: cachaça de qualidade, orgulho do Brasil.


           
Curiosidades
            . A cachaça é obtida por meio da destilação do melaço fermentado da cana-de-açúcar.  A graduação alcoólica da cachaça varia entre 38% e 48% em volume.
            . Por vezes, confundida com cachaça, a aguardente de cana é um destilado alcoólico simples de fermentado do caldo da cana-de-açúcar. A graduação alcoólica da aguardente de cana está entre 38% e 54% em volume.
            . Em 1756, a cachaça passou a ser industrializada. Em garrafa de louça, a Monjopina, produzida no Engenho Monjope, em Igarassu (PR), começou a ser vendida em armazéns de secos e molhados.
            . A bebida nacional ganhou seu maior reconhecimento no mundo quando a Cachaça Pendão foi premiada no San Francisco Word Spirits Competition, uma das mais importantes competições do segmento. Entre 1.215 tipos de destilados de 61 países, ficou com a medalha de prata em 2012.
            . A Cachaça Anisio Santiago (antiga Havana – teve o nome trocado por problemas de patente) é uma das cachaças nobres, facilmente identificada nas degustações às cegas por aroma e sabor marcantes. Premiadíssima, é considerada como a melhor cachaça do mundo. Produzida na Fazenda Havana, cidade de Salinas (Minas Gerais), tem graduação alcoólica de 44,8% em volume.
            . O Museu da Cachaça foi inaugurado no dia 10 de dezembro de 1998. Situado no município de Lagoa do Carro, a 60 quilômetros de Recife, possui uma coleção que faz parte do Guiness Book, o livro dos recordes. São 7.124 garrafas, produzidas no Brasil e em outros 24 países, reunidas ao longo de duas décadas pelo empresário José Moisés de Moura. O museu recebe cerca de 50 visitantes semanais e o bilhete de entrada custa R$ 1,00. Ao final da visitação, o público pode degustar diferentes marcas de cachaça no bar do espaço.




















domingo, 15 de abril de 2012

Brasília: mosaico de sabores

           O mercado gastronômico da cidade está aquecido com a chegada de novos restaurantes. Nos shoppings, na orla ou espalhados pelas entrequadras, as casas com culinária requintada invadem a capital federal. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Jaime Recena, a procura do público por restaurantes está em constante ascenção. "A gastronomia é um patrimônio cultural e um propulsor econômico para o país", afirma. No Brasil, a despesa com alimentação fora do lar corresponde a 26% e emprega cerca de seis milhões de pessoas. 

           Em Brasília, os amantes da boa mesa podem escolher entre as várias opções de cozinhas em restaurantes mais sofisticados. Bom para o paladar, mas nem tanto assim para o bolso. Em média, a refeição com courvet, prato principal, sobremesa e sem bebida alcoólica, custa aproximadamente R$ 120 por pessoa.
Apesar do preço, vale a pena, pois o sabor não deixa a desejar. A arrumação da mesa, a apresentação dos pratos, o atendimento, o requinte do ambiente e até a música fazem parte da experiência na hora de comer. O La Tambouille, um dos restaurantes vindos de São Paulo que aportaram no Park Shopping, é um exemplo de que essas casas tem um diferencial. Ao entrar, a parede de plantas vivas remete ao frescor dos bistrôs franceses. Os pratos decorados com bordados de flores tropicais combinam com o estofado das cadeiras.
Inovações nos cardápios também fazem parte do rol. Como exemplo, a pizza de pétalas de rosas cristalizadas, servida na cama de sorvete de creme que é o carro chefe das sobremesas do Avenida Paulista. O prato já fazia sucesso em Curitiba, sede do restaurante, que traz alguns ingredientes diretamente da Itália para confecção das comidas. Uma pizza dessa, que serve oito pedaços, custa R$ 58,00.
O Coco Bambú, procedente de Fortaleza, busca a originalidade dos pratos nordestinos e também traz ingredientes frescos da terra, como os camarões, moluscos, mexilhões e peixes. Sempre com fila de espera aos domingos, segundo um dos proprietários do estabelecimento, Beto Pinheiro, o restaurante está dentre um dos mais procurados na capital. O Camarão Jangadeiro é uma boa pedida, pois o prato é bem servido. Arroz a grega, batatas douradas e camarões grandes empanados envoltos no catupiry  compõem a travessa. Dá para quatro pessoas e custa R$ 98,00.
Outros restaurantes que chegaram a Brasília atualmente e trouxeram inovações na gastronomia elegante são: Le Vin, Barbacoa, Antiquarius Grill, Mercado 153, Galetto’s, Pobre Juan, Bela Sintra e ‘Gero.

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 Mão de obra
O gerente do La Tambouille, Genésio Xavier, conta que trabalha para a rede há 15 anos. “Eu morava em São Paulo e vim com o restaurante, pois diziam que a mão de obra aqui é precária. Você vê isso nos serviços e, no restaurante, não é diferente. Na primeira semana que a gente abriu tinham oito garçons de Brasília e, três dias depois, só tinham dois”. Os contratados desistiram do emprego sem comunicar ao estabelecimento. Um dos argumentos citados por Xavier é a questão do profissionalismo. Ele acredita que em outras capitais, como por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro, os empregados são mais treinados e responsáveis. O atendimento ao público é então, na opinião do gerente, mais cordial e personalizado. “Eu já ouvia falar que o serviço deixava a desejar. É cultural".
O sommelier desse restaurante, Mário Vieira, também veio de São Paulo para Brasília com a equipe de um restaurante. O Bela Sintra, localizado na comercial da quadra 205 Sul, é um dos famosos e tradicionais da capital paulista. Vieira trabalhou durante sete meses na casa. Voltou para São Paulo, pois, segundo ele, o salário naquele estado é maior, logo que os empregados de um restaurante são comissionados. Sendo assim, casa cheia, mais dinheiro. Porém, como dito anteriormente pelo gerente Xavier, em Brasília falta mão de obra qualificada para o setor. O sommelier foi convidado a retornar à cidade, agora fazendo parte da equipe do La Tambouille.
Veja o que fala o profissional da área
A Avenida Paulista está há mais tempo em Brasília: um ano. Sediada em Curitiba, trouxe de lá os pizzaiolos e o departamento de recursos humanos, responsável pelo treinamento de pessoal. O garçon Honório Júnior está na casa desde a inauguração. Ele afirma que o restaurante sempre está lotado. Nos finais de semana, os clientes aguardam cerca de uma hora para conseguirem mesa. E completa: “aqui é mais perto do centro. Acho que a localização é importante para o público”. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

De casa ao gourmet


  O picadinho é um velho conhecido das cozinhas brasileiras. Pedacinhos de filé, arroz branco, farofa e ovo representam o básico para composição do prato. Variações como couve, banana à milanesa e até mesmo feijão também são apostas para incrementar e dar um diferencial ao prato. Os restaurantes de Brasília, dos mais sofisticados aos mais simples, incorporaram em seus cardápios essa tradicional opção.

  Casas como Lake’s, Fred, Antiquarius Grill e La Trombouille dão um requinte à elaboração dessa receita simples que agrada muitos paladares. O empresário Carlos Martins, que faz as refeições fora de casa, declara comer o prato pelo menos duas vezes na semana, pois assim pode sentir o sabor da comida caseira da infância. O assessor parlamentar Antônio Carlos Zaffino, acostumado a frequentar lugares com culinária gourmet, não dispensa o picadinho, que muitas vezes desbanca pratos mais elaborados. “Eu adoro, como sempre”, diz. Outros já não partilham da mesma opinião e acham que uma comida com caráter tão caseiro não merece estar nas mesas mais elegantes. A advogada e chef Cátia Soares é um exemplo. Ela conta que este prato não lhe proporciona nenhuma experiência gastronômica diferente, por ser bastante comum.

  O público que costuma consumir o picadinho é diversificado, assim como o preço cobrado pelos restaurantes citados acima. O mais caro é o do Antiquarius, que custa R$ 71. A restauranter Ângela Munhoz decidiu incluí-lo no cardápio, desde a abertura do Lake’s, há quase 20 anos. Lá ele sai a R$ 35 e vem acompanhado ainda com batata palha. Como dona de casa, ela sempre apreciou comidas de preparo fácil. Daí a decisão de comercializar o prato dando um toque gourmet. Para isso, investiu na apresentação e nos temperos.
 
  O Fred também pode ser considerado um veterano quando o assunto é proporcionar esta comida tradicionalmente caseira para quem frequenta o circuito gastronômico de Brasília. Há 18 anos, o tem como carro chefe da casa, apesar de ser especializado em cozinha alemã. A preparação é feita aos olhos do cliente, em um fogão montado próximo às mesas. Fica pronto em no máximo 15 minutos. Picado em ponta de faca, flambado e apurado em molho roti (especial da casa), o filé mignon vem temperado com tomate, cebola, pimentão, páprica picante, champignon e bacon. Os acompanhamentos: farofa de pão, banana à milanesa, ovo pochê e arroz branco. Tudo sai ao custo de R$ 40 (individual) e, no jantar, R$ 55 para duas pessoas.

Cabe no bolso
Nem só os restaurantes de luxo da cidade oferecem esta opção. Pode-se encontrá-la por R$ 14, 90, no Dom Durica, onde se vende o prato congelado, e por R$ 49, no Moisés, que serve até três pessoas. Porém, o mais em conta é fazer em casa, com média de R$ 35, para quatro pessoas. É o caso da funcionária pública Érika Ferreira que, aos finais de semana, prepara o prato preferido da família: o picadinho.